quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Eu sou só olhos...
Cada dia é uma surpresa. Como ainda não tenho quase nada para fazer, vou olhando. Há 6 anos que não tinha vindo a Moçambique. Mudou muito. Maputo tinha poucos carros, agora tem engarrafamentos. Tem planos. Estive numa cidade onde 25% estão infectados com HIV, desde crianças até idosos. Felizmente os anti-retrovirais são gratuitos. Mas há gente que não se trata.
Essa é a situação que temos de aceitar, amar as pessoas que vivem nela, e trabalhar para mudar um pouquinho.
Mas, para já, eu sou só olhos.
Abraços
Jerónimo
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
...
"...acho que nos momentos de tristeza, devemos olhar para o céu em vez de chorar..."
(Stª Teresinha do Menino Jesus)
Estes dias deviam ser de uma alegria imensa... afinal, é mais um 'grão de trigo' que vai dar fruto; que vai mostrar, em terras de África, como é reconfortante o 'colo de Deus'.
Mas fica o vazio da presença fisica...
Vou tentar olhar mais para o céu...
Espero-vos cá...
"Aos vinte anos decidi tornar-me missionário. Pensava na África mas foi óptimo passar 25 anos no Brasil. Fiz o que a Igreja pediu e a realidade impôs: ao formar equipas de celebração Dominical e criar grupos bíblicos; firmou-se o compromisso com a evangelização dos lavradores, apoiando os seus direitos e a sua organização.
Horas duras, tempo bonito... Pensei que seria esse o caminho da minha vida. Mas a bola é redonda e pequena.
Chamado a Portugal, gastei 15 anos a estimular esta Igreja para a Missão: leigos, religiosas, padres, cada igreja local a abrir-se ao Todo...
A globalização trouxe muita miséria mas ofereceu enormes oportunidades, meios para unir povos e culturas, juntar os melhores para a luta por um mundo mais justo e fraterno. O futuro nasce dos marginalizados, das veredas por onde Jesus passa. A interactividade entre pessoas, povos e comunidades é fundamental. Fora disso não há salvação. Indio isolado é almoço de onça.
Os LBN nasceram em Setembro 1995, com o lema "partindo para ficar do lado de quem mais precisa". Muitos foram e vieram. A caminhada firmou-se. Um núcleo duro de valentes garante o futuro.
Malema foi a nossa primeira "terra de missão". É aqui que podereis encontrar-me a partir de agora. Área:4000Km2. População 100.000 habitantes, metade crianças até aos 15 anos. Falam português 36%. Taxa de analfabetismo: 72%. São dados do censo de 97. Espero que tudo tenha melhorado desde então.
A primeira equipa desejava uma escola. Agora temos duas: Escola Profissional de Malema e Escola Agrícola de Nataleia. Duas estruturas para formar homens para o trabalho e para a vida. Há anos ouvi uma autoridade de Malema: "para mim desenvolvimento é todas as famílias terem cadeiras, uma mesa e um prato de comida em cima." A Igreja quer contribuir para esse tipo de desenvolvimento que abrange toda a pessoa, todas as pessoas e todos os povos.
Nestes dias partem 4 missionários da Boa Nova para Moçambique: P.Samuel, Ir.Eduardo, Ronaldo e eu. Mas o desafio é maior do que nós e todos somos poucos para tecer esta rede inter-activa. Leigos são fundamentais para fermentar a massa.
Cá vos esperamos. Até breve.
Maputo, 16 de Dezembro de 2009
P.Jerónimo Nunes
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Presidente da República distinguiu Irmã Conceição

A distinção visava distinguir “personalidades e instituições que se distinguiram, enquanto agentes inovadores, ao longo das suas vidas e no exercício das suas actividades”.
A Irmã Conceição Laranjeiro integra a Comunidade das Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, instalada na Fundação Condessa de Penha Longa, em Cucujães, Oliveira de Azeméis. Ao longo de 58 anos, tem dedicado a sua vida ao serviço dos pobres.
Presente na sessão de entrega da insígnia, Hermínio Loureiro, presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, considerou a homenageada uma pessoa “com um trajecto de vida invulgar”.
“A Irmã Conceição foi alguém que ensinou gerações e os valores e princípios da vida sempre a pensar naqueles que mais precisam e nos que sofrem, por isso foi com muito gosto que vi o Presidente da República reconhecer este esforço e esta dedicação às causas sociais”, afirmou o autarca.
Percurso
Nascida a 20 de Dezembro de 1930, a Irmã Conceição Laranjeiro iniciou a sua actividade na freguesia de Cucujães em Maio de 1971 onde integrou a Comunidade das Filhas da Caridade e foi enfermeira na unidade de saúde local entre 1976 e 2000.
Desde sempre o seu trabalho distinguiu-se no apoio aos pobres, aos desprotegidos, aos doentes e aos idosos, na evangelização e na dinamização da juventude.
O seu exemplo de vida e trabalho foram reconhecidos pelo Presidente da República ao elogiar a sua visão estratégica, a sua capacidade empreendedora e o seu testemunho de amor aos outros.
Em breves palavras, a homenageada sublinhou que “as Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo não nasceram para fazer discursos nem para receberem homenagens mas sim para servir os pobres” e as “comunidades onde estamos inseridas, no que lhe seja útil”.
“As vocações são um dom de Deus dado à comunidade para enriquecimento, crescimento das pessoas a todos os níveis: humano, social e espiritual”, disse ainda.
“O que eu faço é graças a uma comunidade em que estou inserida pois o projecto de servir é de toda a comunidade”, advertiu a Irmã Conceição Laranjeiro depois de receber das mãos do Chefe de Estado a condecoração de «Comendador da Ordem da Instrução Pública».
São vários os testemunhos de quem conviveu de perto com a religiosa, destacando-se a sua força interior, a motivação para desenvolver projectos, a sua coragem, determinação, dedicação à causa divina e o seu papel no desenvolvimento social e humano da comunidade que abraçou durante largas décadas.
Ecclesia (Com Gabinete de Comunicação e Imagem - Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis)
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Ainda o humor
"Estou farto de ser digno.
Estou farto de ser honrado.
Estou farto de ser formal,
maduro,
sério,
responsável,
cumpridor.
Estou farto!
Disse Deus, e calou-se.
Escandalizaram-se todos os homens dignos,
e os honrados,
e os formais,
e os maduros,
e os sérios,
e os responsáveis,
e os cumpridores,
e levantaram-se à uma
e disseram todos juntos em coro:
Que barbaridade!
E as suas dignas mulheres
puseram-se também em pé
e repetiram em uníssono:
Que barbaridade!
E Deus deu um salto muito grande.
E disse:
Miau
Miau
Miau.
E soltou uma enorme gargalhada
que se ouviu no cume do Himalaia".
(De Francisco Loidi)
Disparates religiosos
