quarta-feira, 17 de março de 2010

Ricardo Araújo Pereira e a questão de Deus


Intervenção de Ricardo Araújo Pereira na mesa-redonda «Deus: questão para Crentes e não-Crentes, organizada pela comunidade da Capela do Rato (Lisboa).

"[No livro do Eclesiastes] o tempo e o acaso acontecem a todos por igual. Era uma óptima pessoa – morreu. Era uma péssima pessoa – morreu também. (...) Eu juntei uma enorme fortuna – morri. Eu adquiri imenso conhecimento – morri a seguir. Eu fui muito bom para o meu semelhante – morri. Fui péssimo para o meu semelhante – morri também.” (...) “O trabalho de humorista é fazer as pessoas rirem-se do facto de, por mais maquilhagem que ponham na cara, é àquele estado que vão chegar.”

"O momento em que se perde o filho é o único, acho eu, do qual o riso está completamente ausente. Penso muitas vezes na questão de fazer rir as pessoas que perdem um filho."


A relação do humor com a morte foi um dos aspectos centrais da intervenção de Ricardo Araújo Pereira na primeira sessão do ciclo “Deus: questão para Crentes e não-Crentes”.

“Eu acredito que quando morrer – tenho mais ou menos a ideia que isso vai acontecer qualquer dia – vou exactamente para o mesmo sítio onde estava antes de ter nascido, ou seja, lugar nenhum. E isso é uma coisa que me transtorna”, referiu o escritor, que pediu desculpa por ser “titubeante” ao falar da “não experiência de Deus”, que classificou de “bastante caótica”.

"Para nós, ateus, a morte é um sono sem sonhos e nós continuamos com um mau perder em relação a isso. Não é fácil. E por isso, onde é que eu vou buscar conforto? À Bíblia (não sei se já ouviram falar)”, disse o humorista.

Ricardo Araújo Pereira “comoveu todos os presentes” e “a sua leitura do livro do Eclesiastes mostra como a não crença integra o próprio caminho crente que a Bíblia testemunha”.

Algumas das intervenções do público no período a seguir às palestras sugeriram que as posições de Ricardo Araújo Pereira estavam muito próximas da crença cristã, o que levou o humorista a reafirmar a sua condição de ateu.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Dez Mandamentos do bom pai ou boa mãe


1. Amarás o teu filho com todo o teu coração, alma e forças mas, sensatamente, com o teu cérebro.

2. Verás no teu filho uma pessoa, não um objecto que te pertence.

3. Não lhe exigirás amor e respeito, mas esforçar-te-ás por merecê-los.

4. Cada vez que os seus actos te façam perder a paciência, lembrar-te-ás dos teus próprios actos quando tinhas a sua idade.

5. Lembra-te que o teu exemplo será mais eloquente do que o melhor dos teus sermões.

6. Pensa que o teu filho vê em ti um ser superior e não o desiludas.

7. Ao longo da sua vida, serás um sinal que o impedirá de tomar caminhos errados, dos quais dificilmente se regressa.

8. Ensiná-lo-ás a admirar a beleza, a praticar o bem e a amar a verdade.

9. Prestarás atenção aos seus problemas, quando ele julgar que podes ajudar a solucioná-los.

10. Ensiná-lo-ás com a tua palavra e o teu exemplo a amar a Deus acima de todas as coisas.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

«Recebestes gratuitamente, dai gratuitamente» (Mt10,8)


Quando Jesus saiu para o mar com os Seus discípulos, não pensava somente nessa pescaria. Foi por isso [...] que respondeu a Pedro: «Não tenhas receio; de hoje em diante serás pescador de homens». E também nessa nova pesca a eficácia divina não faltará: os apóstolos serão instrumentos de grandes prodígios, apesar das suas misérias pessoais.
Também nós, se lutarmos todos os dias para alcançar a santidade na nossa vida normal, cada um na sua própria condição no meio do mundo e no exercício da sua profissão, ouso afirmar que o Senhor fará de nós instrumentos capazes de realizar milagres e, se for necessário, dos mais extraordinários. Daremos luz aos cegos. Quem não poderá narrar mil exemplos de cegos quase de nascença que recuperam a visão e recebem todo o esplendor da luz de Cristo? Outro era surdo e outro ainda mudo, que não podiam ouvir nem articular uma única palavra enquanto filhos de Deus [...]: e ouvem e exprimem-se como verdadeiros homens [...]. «Em nome de Jesus», os apóstolos restituem as forças a um enfermo incapaz de qualquer acção útil [...]: «Em nome do Senhor levanta-te e caminha!» (Act 3, 6). Outro ainda, um morto, ouviu a voz de Deus como quando do milagre da viúva de Naim: «Jovem, ordeno-te que te levantes» (Lc 7, 14; Act 9, 40).
Faremos milagres como Cristo, milagres como os primeiros apóstolos. Estes prodígios realizaram-se talvez em ti, em mim: talvez estivéssemos cegos, ou surdos, ou enfermos, ou sentíssemos a morte, quando a Palavra de Deus nos arrancou à nossa prostração. Se amamos a Cristo, se O seguimos, se é apenas a Ele que procuramos e não a nós mesmos, em Seu nome poderemos transmitir gratuitamente o que recebemos gratuitamente.
São Josemaria Escrivá de Balaguer (1902-1975), presbítero