quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Espero-vos cá...



"Aos vinte anos decidi tornar-me missionário. Pensava na África mas foi óptimo passar 25 anos no Brasil. Fiz o que a Igreja pediu e a realidade impôs: ao formar equipas de celebração Dominical e criar grupos bíblicos; firmou-se o compromisso com a evangelização dos lavradores, apoiando os seus direitos e a sua organização.


Horas duras, tempo bonito... Pensei que seria esse o caminho da minha vida. Mas a bola é redonda e pequena.


Chamado a Portugal, gastei 15 anos a estimular esta Igreja para a Missão: leigos, religiosas, padres, cada igreja local a abrir-se ao Todo...


A globalização trouxe muita miséria mas ofereceu enormes oportunidades, meios para unir povos e culturas, juntar os melhores para a luta por um mundo mais justo e fraterno. O futuro nasce dos marginalizados, das veredas por onde Jesus passa. A interactividade entre pessoas, povos e comunidades é fundamental. Fora disso não há salvação. Indio isolado é almoço de onça.


Os LBN nasceram em Setembro 1995, com o lema "partindo para ficar do lado de quem mais precisa". Muitos foram e vieram. A caminhada firmou-se. Um núcleo duro de valentes garante o futuro.


Malema foi a nossa primeira "terra de missão". É aqui que podereis encontrar-me a partir de agora. Área:4000Km2. População 100.000 habitantes, metade crianças até aos 15 anos. Falam português 36%. Taxa de analfabetismo: 72%. São dados do censo de 97. Espero que tudo tenha melhorado desde então.


A primeira equipa desejava uma escola. Agora temos duas: Escola Profissional de Malema e Escola Agrícola de Nataleia. Duas estruturas para formar homens para o trabalho e para a vida. Há anos ouvi uma autoridade de Malema: "para mim desenvolvimento é todas as famílias terem cadeiras, uma mesa e um prato de comida em cima." A Igreja quer contribuir para esse tipo de desenvolvimento que abrange toda a pessoa, todas as pessoas e todos os povos.


Nestes dias partem 4 missionários da Boa Nova para Moçambique: P.Samuel, Ir.Eduardo, Ronaldo e eu. Mas o desafio é maior do que nós e todos somos poucos para tecer esta rede inter-activa. Leigos são fundamentais para fermentar a massa.


Cá vos esperamos. Até breve.


Maputo, 16 de Dezembro de 2009


P.Jerónimo Nunes



segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Presidente da República distinguiu Irmã Conceição


O presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, condecorou a Irmã Conceição Laranjeiro com o grau de Comendador da Ordem da Instrução Pública durante a visita que efectuou à região de entre Douro e Vouga, no âmbito da 1ª Jornada do Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras.
A distinção visava distinguir “personalidades e instituições que se distinguiram, enquanto agentes inovadores, ao longo das suas vidas e no exercício das suas actividades”.
A Irmã Conceição Laranjeiro integra a Comunidade das Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, instalada na Fundação Condessa de Penha Longa, em Cucujães, Oliveira de Azeméis. Ao longo de 58 anos, tem dedicado a sua vida ao serviço dos pobres.
Presente na sessão de entrega da insígnia, Hermínio Loureiro, presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, considerou a homenageada uma pessoa “com um trajecto de vida invulgar”.
“A Irmã Conceição foi alguém que ensinou gerações e os valores e princípios da vida sempre a pensar naqueles que mais precisam e nos que sofrem, por isso foi com muito gosto que vi o Presidente da República reconhecer este esforço e esta dedicação às causas sociais”, afirmou o autarca.

Percurso
Nascida a 20 de Dezembro de 1930, a Irmã Conceição Laranjeiro iniciou a sua actividade na freguesia de Cucujães em Maio de 1971 onde integrou a Comunidade das Filhas da Caridade e foi enfermeira na unidade de saúde local entre 1976 e 2000.
Desde sempre o seu trabalho distinguiu-se no apoio aos pobres, aos desprotegidos, aos doentes e aos idosos, na evangelização e na dinamização da juventude.
O seu exemplo de vida e trabalho foram reconhecidos pelo Presidente da República ao elogiar a sua visão estratégica, a sua capacidade empreendedora e o seu testemunho de amor aos outros.
Em breves palavras, a homenageada sublinhou que “as Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo não nasceram para fazer discursos nem para receberem homenagens mas sim para servir os pobres” e as “comunidades onde estamos inseridas, no que lhe seja útil”.
“As vocações são um dom de Deus dado à comunidade para enriquecimento, crescimento das pessoas a todos os níveis: humano, social e espiritual”, disse ainda.
“O que eu faço é graças a uma comunidade em que estou inserida pois o projecto de servir é de toda a comunidade”, advertiu a Irmã Conceição Laranjeiro depois de receber das mãos do Chefe de Estado a condecoração de «Comendador da Ordem da Instrução Pública».
São vários os testemunhos de quem conviveu de perto com a religiosa, destacando-se a sua força interior, a motivação para desenvolver projectos, a sua coragem, determinação, dedicação à causa divina e o seu papel no desenvolvimento social e humano da comunidade que abraçou durante largas décadas.

Ecclesia (Com Gabinete de Comunicação e Imagem - Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis)


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ainda o humor

"Estou farto de ser digno.

Estou farto de ser honrado.

Estou farto de ser formal,

maduro,

sério,

responsável,

cumpridor.

Estou farto!

Disse Deus, e calou-se.

Escandalizaram-se todos os homens dignos,

e os honrados,

e os formais,

e os maduros,

e os sérios,

e os responsáveis,

e os cumpridores,

e levantaram-se à uma

e disseram todos juntos em coro:

Que barbaridade!

E as suas dignas mulheres

puseram-se também em pé

e repetiram em uníssono:

Que barbaridade!

E Deus deu um salto muito grande.

E disse:

Miau

Miau

Miau.

E soltou uma enorme gargalhada

que se ouviu no cume do Himalaia".

(De Francisco Loidi)





Disparates religiosos


Do livro "Deus é humor" de Felix Núñez Uribe


"Vou proporcionar-lhes uma ocasião de sorrir. Com um pouco de humor e de inocência à mistura. A inocência de alguns estudantes que responderam disparates nos exames de religião e o humor de um professor que compilou as respostas e fez com elas um livro.

O autor da obra é Luiz Díez Jiménez e o livro intitula-se "Segunda antologia do disparate". É para verem que também com a religião se pode fazer bom humor, sobretudo quando não se sabe muito bem por onde sopra o vento. Aqui ficam algumas das definições transcritas das provas de religião.

-O Credo. Creio em Jesus Cristo, concebido por obra de Engrácia, do Espírito Santo.

-Quem é o Espírito Santo? Uma pomba.

-Abraão. Deus amava tanto Abraão quelhe deu um filho velho.

-A Consagração. O proncipal momento da Consagração é quando Jesus diz: "Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa..."

-Jonas. Jonas zangou-se com Deus, mas Deus, cansado, engoliu-o numa baleia.

-Milagres. Jesus ressuscitou muitos doentes.

-Quem é o Papa? É o Boticário de Cristo na terra.

-São Lucas. Era médico de nascimento.

-Os saduceus. Eram homens maus que, à tarde, quando não havia sol, perguntavam a jesus porque não havia sol. E ele disse-lhes: "Não me tenteis, que virá uma tempestade de adúlteros".

-Matrimónio e virgindade. Jesus disse-lhes tantas coisas sobre a mulher, que eles decidiram não se casar.

-O mudo. Apresentou-se um mudo e disse-lhe: "Podes curar-me?"

-Que é pecado mortal? O que se comete com perigo de vida.

-O Génesis. No sétimo dia, quando terminou a criação, conta a Biblia, que Deus, cansado da criação, foi para o rio Génesis descansar.

-Fundação da Igreja. Então Jesus Cristo foi procurar um pescador, que era Pedro, e perguntou-lhe: " Tu és Pedro ou pedra?"

-Espécies de pecados. Mortais, veniais e geniais.

-Madalena. Então Jesus encontrou uma mulher muito mais velha, ou seja, adúltera.

-A filha de Jairo. Esta devia ter muita fome, porque mal ressuscitada, pediu de comer.

-Cura do lunático. Então o rapaz, deitando espuma (pela boca) ficou hirto para sempre e pôs-se a correr.

-Zaqueu. Como era muito rico, era um pouco anão.

-Eva. Deus, por amor, criou uma companheira para Adão, entre tantos animais.

-Eucaristia. O principal momento da Eucaristia é quando o sacerdote abençoa o sagrado corpo dos fiéis.

-Saída do Egipto. Os israelitas, perseguidos pelos egipcios , separaram o rio Nilo do mar Vermelho.

-Dilúvio. Noé construiu uma arca sem dizer nada a Adão.

-David e Golias. Por fim David conseguiu circuncidar Golias.

-Pecado Original. O homem foi obrigado ao trabalho e a fazer boas obras no inferno.

-O homem. O homem é inteligente, logo é pecador; não como os animais.

-O Baptismo. Instituiu-o Jesus Cristo quando se fez baptizar no Jordão e se fez católico. O sacramento do Baptismo é recebido numa idade muito precoce dos pais.

-Amor. Temos de amar os nossos inimigos, mesmo que os matemos.

Que Deus os abençoe, estudantes angelicais das aulas de religião. Não sois nenhuns linces, mas a vossa audácia merece distinção."





quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Biblia segundo Saramago"

Deparando com o Jornal de Notícias de 19 de Outubro passado (p. 4-5), li uma entrevista com “José Saramago”, escritor. Fiquei revoltado, porque ofendido nos meus sentimentos cristãos. Mas é sobretudo em nome de tantos outros cristãos que ficaram ofendidos com as tiradas de Saramago que escrevo estas breves linhas. Por mim, não lhe daria qualquer resposta.
Saramago, apesar da fama inegável que lhe reconhecemos como romancista, não pode julgar-se dono de todos os saberes e de todas as ciências, quando faz afirmações sobre a Bíblia como as que tem repetido estes dias. É que a Bíblia não é um romance – como, possivelmente, ele pensa. Por isso, na qualidade de romancista, o senhor Saramago não pode abrir a boca sobre a interpretação do que desconhece, como se depreende pelas suas palavras: “Nunca fui um leitor assíduo na Bíblia, mas penso que a conheço bastante bem”. Se não a leu e sobretudo não a estudou, como pode afirmar que a conhece bastante bem? Além disso, esta afirmação leva a pensar que Saramago faz uma leitura literalista, fundamentalista, da Bíblia. Logo, Saramago é um fundamentalista, no que toca à leitura da Bíblia. Ele devia saber, como literato que é, que não basta ler a letra do texto. É necessário saber o que ele significa. Afinal, onde é que Saramago estudou as línguas, a história, a geografia, numa palavra, o Sitz im Leben da Bíblia e a exegese bíblica, para afirmar que “conhece bastante bem a Bíblia”? Quem lê um texto e não sabe o que ele significa sofre de iliteracia. Daqui estamos a um passo de concluir que Saramago sofre de iliteracia bíblica. Pelas afirmações que fez, Saramago, em qualquer exame de Bíblia, receberia a nota zero. Portanto, Saramago, em Bíblia, é um zero à esquerda. O pior não é o facto de não saber. Disso está antecipadamente desculpado. O pior é pensar que “sabe bastante bem”.
Uma coisa que Saramago deveria saber bem, como literato, é que a Bíblia – quer ele queira quer não – é, talvez, o maior livro da literatura mundial. Quando um literato afirma o que ele afirmou da Bíblia, é de pasmar; melhor, é de ficar a duvidar se ele alguma vez leu a Bíblia, pela perspectiva literária, sobretudo grandes obras da literatura mundial, como o Javista, Job, o Eclesiastes, Isaías, Ezequiel, Lucas….
Mais ainda, ele afirma tudo isto para mostrar a sua falta de respeito basilar em relação a todos os homens e mulheres religiosos, de todas as religiões, mormente do Judaísmo e Cristianismo, as duas religiões da Bíblia. Para ele, afinal, a Bíblia é apenas a “mina” onde vai buscar temas para fazer romances e ganhar milhões. No fim, ainda vem desprezar as religiões da Bíblia. Não lhe interessa nem o Deus da Bíblia, nem os que acreditam nele, pois afirma claramente que Deus só existe na cabeça das pessoas. Vejam só o que Saramago diz de Deus – não o da Bíblia, mas o da cabeça dele: “Deus é vingativo, rancoroso, má pessoa. O Deus da Bíblia, não é de fiar…”. E aqui temos o verdadeiro Saramago: o ateu, o jacobino, o anti-cristão, que ataca, publicamente, os mais íntimos sentimentos das pessoas simples. Sim, porque as outras não se deixam levar pelos seus “disparates” religiosos. Porque é que Saramago não faz tais afirmações num país muçulmano?
Senhor Saramago, por favor, fale-nos de romances. Não fale do que não conhece, a não ser pela ramagem. Olhe que a rama não é a árvore. E esses alardes de que a história de David e Golias é “uma história mal contada”? Quem se julga, para criticar os escritores da Bíblia e, sobretudo, o que tais “estórias” significam para os seus autores? Por escrever romances no nosso tempo, julga-se capacitado para criticar escritores de há mais de 2000? É que o senhor Saramago, pelo facto de ter ganho o Nobel da Literatura, já acredita ter a última palavra sobre todos os assuntos, mesmo na interpretação da Bíblia.
Mas, os disparates não se ficam por aqui. Para o senhor Saramago, “a Bíblia é um manual de maus costumes”. Vê-se que, da Bíblia, apenas leu “os maus costumes”. Não fez caso dos “bons costumes”, da Bíblia, porque isso não lhe deve interessar mesmo nada! Concedemos a Saramago que a Bíblia tem lá alguns dos nossos “maus costumes”, pois ela é o espelho daquilo que a humanidade foi, é e será no futuro (infelizmente). Portanto, tem lá os meus “maus costumes” e também os “maus costumes” de Saramago, sobretudo o de ofender a consciência religiosa dos cristãos menos elucidados. Sim, porque a mim e a muitísimos outros, Saramago nem sequer consegue ofender, pois dele já não se esperava outra coisa. Mas Saramago acrescenta ainda: “A Bíblia está cheia de horrores e violências, carnificinas…”. Claro está que Saramago só viu isso, porque não quis ver outras coisas, aquelas que fazem da Bíblia o grande livro da humanidade: os Evangelhos, a parábola do bom samaritano, do filho pródigo, São Paulo, e tantos outros textos que são permanentes referências do pensamento humano de milhões de milhões de homens e mulheres de há dois mil anos a esta parte. Até parece que durante 2000 anos todos estiveram errados, e Saramago – o iluminado! – veio agora descobrir a pólvora.
E termino, pois já fiz demasiada propaganda do entrevistado: confesso que Saramago me deixou um sentimento de desilusão. Não por ser ateu, mas por ser petulante e, assim, ofender os outros nas suas mais profundas convicções religiosas. Convidamo-lo a não falar mais destes assuntos, para não ofender as pessoas que (ainda) o admiram como romancista. E que Deus – esse Deus em quem ele não acredita – lhe perdoe.

(Herculano Alves - Sacerdote franciscano, especialista em Sagrada Escritura, tradutor e comentador da Bíblia. Voz Portucalense)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

" Um caminhito completamente novo"



"Bem sabeis, minha Madre, que sempre desejei ser santa.
Mas, ai de mim!

Sempre verifiquei, ao comparar-me com os Santos, que há entre eles e eu a mesma diferença que existe entre uma montanha, cujo cume se perde nos céus, e o obscuro grão de areia pisado pelos pés dos caminhantes.

Em vez de desanimar, disse para comigo: Deus não pode inspirar desejos irrealizáveis. Posso, portanto, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade.

Fazer-me crescer a mim mesma é impossível; tenho de suportar-me tal como sou, com todas as minhas imperfeições.

Mas quero procurar a maneira de ir para o Céu por um caminhito muito direito, muito curto; um caminhito completamente novo".


Stª Teresinha do Menino Jesus (História de uma Alma)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sede santos...



Um santo é um olhar tranquilo,que pousa em todos com bondade e para distribuir bondade.


É um rosto aberto, para acolher quantos se aproximam.


É um par de ouvidos sempre atentos a escutar as penas dos outros, os problemas dos que estão angustiados.


É um coração que se faz lágrimas com o que chora e risos com o que se alegra.


É uma mão que se estende, leve e amiga, para oferecer a ajuda que o próximo necessita e não se atreve a pedir.


Um santo é um Homem que soube converter-se no crucifixo da vontade de Deus.


Estou a caminho da santidade?... O caminho não é impossível, nem tão difícil como parecia...